Conversando com a Mina há pouco no ponto de ônibus, me veio um post à cabeça sobre algo que ainda não foi contado e acaba surpreendendo alguns amigos que vêm nos visitar: as expressões idiomáticas. Sabe quando a gente acha ridículo aquela pessoa que passou um tempo fora do Brasil e volta falando palavras em inglês no meio das frases ou dizendo que esqueceu como se fala tal palavra ou expressão em português? Pois não é fingimento! Com o tempo, algumas palavras que usamos muito acabam sendo substituídas e aí fica mesmo difícil se adaptar a falar como antes.
Pra começar: no início, parece ótima a ideia de conversar em português porque ninguém vai entender. Ledo engano. Vale contar a história da nossa amiga, feliz da vida, visitando Londres, em uma boate. Viu o barman sem camisa e começou: "Nossa, olha o corpo dele... que peitoral é esse... gente, ele é muito gato... que sorriso... ai, viu esse olhar que ele deu??". Pois bem, 5 minutos depois o mesmo barman pergunta: "Querem que eu tire uma foto de vocês?". Detalhe: em português. Já aprendemos que é bom tomar cuidado, pois tem sempre um brasileiro, português ou até alguém de Cabo Verde no mesmo lugar, que vai entender o que você está dizendo.Outro erro clássico de principiantes: falar em português normalmente, sabendo que as pessoas ao redor são de outro lugar. Mas esquecendo que os nomes dos países são parecidos. Ou seja... falar de indianos ao lado de indianos é passível de entendimento porque "indiano" e "indian" ou "India" são palavras muito parecidas. Assim, temos que aprender a substituir, apesar de ficarem conversas mais longas. Os indianos viraram "grupo étnico". Hoje, indagando sobre os homens no ponto de ônibus, falamos sobre eles serem "do mesmo continente que o nosso" (bolivianos) ou "daquele continente dos olhos puxados" (Ásia), talvez "daquele país que teve guerra contra os Estados Unidos" (Vietnã).
Já sobre as palavras que a gente troca, fica até engraçado. A maioria é em relação ao trabalho. Nunca mais falamos que "o restaurante está cheio"... virou "o restaurante está busy". Ou falar sobre em que turno vamos trabalhar. Não é mais "turno", é "shift". E quando trabalhamos dois no mesmo dia, "double shift". O gerente já virou "manager", as libras viraram "pounds" e carregar o celular ou o cartão do metrô é fazer "top up". Isso além das palavras que transformamos em verbos em português... passar o esfregão é "mopar". Acaba virando uma nova língua.
Outra coisa engraçada que acontece: quando usamos uma expressão em inglês no meio da frase, é muito difícil continuar a frase em português. Exemplo: falaríamos "assisti ao filme 'An Education' hoje", mas sai "assisti ao filme 'An Education' today". E a Mina responde: "Ah, esse 'An Education', yes... é bom".
E como se já não bastasse tanta mistura, ainda temos o ambiente de trabalho, onde existe a necessidade de se falar mal dos colegas preguiçosos, especialmente chefes. E aí entram as palavras em outras línguas que determinadas pessoas não vão entender, especialmente palavrões em italiano como "cazzo". Mas talvez a expressão mais divertida utilizada por nós aqui seja, e essa foi inventada pela Bianca, nossa amiga, e é universal: post-it. Sim, o papelzinho amarelo de colar recados. A história é a seguinte: Bianca, bêbada, teve a "genial ideia" de colar post-its nas pessoas interessantes com o número do nosso telefone. Phil, sóbrio, não achou que seria uma ideia tão boa. Mas a ideia tão criativa e engraçada pegou. Assim, ao avistar qualquer ser humano "pegável", ou seja, atraente, soltamos: "post-it!". E com o tempo, vieram as variações. "Post-it ish" significa que é quase pegável, caso a ser pensado ("ish" é usado depois de qualquer palavra para dizer que é "mais ou menos", "ao redor de", "quase", etc). "Clips" é quando não ficaríamos de forma alguma. E "cartolina" é alguém tão fenomenal que post-its não seriam suficientes - e até hoje só foi usada uma vez.
E já que o assunto é conversa, vale ainda contar o que anda acontecendo com Mina e Phil: discussões intermináveis sobre os mais variados assuntos. Não no sentido de briga, mas no sentido de conversas quase filosóficas que vão desde o fato do gosto do purê de batatas estar diferente até o fato de os pombos de Londres piarem muito alto. O problema é que o limite do normal é às vezes extrapolado, como uma conversa de meia-hora, às 4 da manhã, sobre valer a pena ou não comprar um carro em Londres. Sendo que nenhum dos dois dirige e muito menos pensa em comprar um carro agora.
No final, parece conversa de gente maluca. E é.

emergência é repleta de cadeiras acolchoadas, máquina de chocolate, máquina de água e uma TV de plasma digital. Álcool em gel para passar nas mãos, banheiro e recepção protegida por vidros. Phil acha que errou de lugar e foi parar em uma clínica dermatológica particular. 15 minutos depois, ele é atendido. Uau! Primeiro mundo! Um enfermeiro o examina e faz perguntas de praxe sobre outros sintomas. Ao final, responde: "Não sei o que você tem, mas vou te receitar esses analgésicos e você pode ir para casa". Primeiro mundo, uma ova! Analgésicos sendo receitados sem que se descubra a causa da dor.
de Petrópolis, na Espanha, onde ele fazia intercâmbio, eu passava o reveillon com Mari Tozatto, amiga queridíssima da PUC, com quem fiz o primeiro semestre da faculdade. E de quebra, Sofia, a prima maravilhosa dela. Foi uma semana de compras de DVDs, andanças pela cidade no frio tremendo e muita diversão na noite de ano novo, quando nos encontramos pela primeira vez, enchemos a cara e celebramos 3 vezes (pela Inglaterra, pela Espanha e pelo Brasil) a chegada de 2010. Tudo com direito a nevasca inesperada no penúltimo dia.





abertas e liberais, onde você encontra de tudo um pouco, mas onde acontece uma coisa engraçada de parecer que ali fica uma versão gay do Mc Donald's, uma versão gay da Starbucks, uma versão gay do supermercado Tesco. Tudo porque os principais cafés e restaurantes estão lá, mas onde normalmente são frequentados por muitos gays que saem dos pubs e clubs ao redor. O que acontece é uma concentração, mas não segmentação desse público. E é lá que você percebe que as coisas em Londres tendem a ser diretas e dizer exatamente ao que vieram, como um bar chamado G-A-Y (não poderia ser mais direto) ou um restaurante chamado Hamburguer. Portanto, é muito difícil alguém se fingir de desavisado do tipo "ah, eu não sabia que esse bar chamado G-A-Y era um lugar gay" ou "você sabe se no Hamburguer eles servem massa?".
das pessoas (a comida é ótima, mas o atendimento é terrível, o que chega a ser engraçado) e onde fica um dos bares e clubs preferidos nossos, o Ku Bar (o que, é claro, rende piadinhas do tipo "vamos ali naquele Ku" ou "nossa, esse Ku tá cheio hoje"). Lá, a música é pop, as pessoas flertam muito e tem 3 andares: um lounge para os casais, um bar lotado e um nightclub que "bomba" depois da meia-noite, quando os dois primeiros andares fecham. E é lá onde trabalha uma baiana ótima no guarda-volumes (e quando eu digo "guarda-volumes", eu quero dizer casacos).
um dos nightclubs mais famosos de Londres, chamado Heaven. De quinta a segunda, festas especiais e shows de artistas que bombam nas rádios daqui acontecem lá. Na segunda-feira, ela é invadida por brasileiros, já que é uma festa sempre anunciada nas revistas brasileiras que existem aqui. Lá, a música também é pop e o público, apesar de mais gay, é bastante misturado. E lá foi a nossa primeira farra para comemorar a chegada da Mina em Londres. Mas os detalhes são impublicáveis.
Basicamente, em resumo, o que as pessoas costumam fazer em Londres é sair para beber. Durante o dia, elas fazem isso nos inúmeros parques e praças que existem pela cidade, muitas vezes acompanhados de piqueniques. Durante a noite, vão para pubs. Quando querem emendar, vão para os clubs e normalmente fazem isso direto. Alguns até saem de casa para a night, mas a maioria que vive aqui há muito tempo vai emendando uma coisa na outra e prolongando assim o dia - e a ressaca do dia seguinte.



história de pagar a mais pelo ônibus integração ou pagar passagem toda vez que vai para algum lugar. Uma vez pago o bilhete semanal, o transporte é à vontade. E vale comentar que de madrugada existem ônibus noturnos de 10 em 10 minutos para todos os lugares da cidade e que a maioria dos pontos de ônibus tem um letreiro que te informa em quanto tempo o próximo chega. Isso sem contar que os pontos têm nome e no ônibus você é informado do nome de cada ponto, como no metrô (os nomes não são tipo João ou Maria, tá, gente, são nomes que se referem aos lugares, como Queen Elizabeth Hospital ou Queen Elizabeth Street ou ainda Queen Elizabeth Avenue). 