



Felizmente, eles não são os únicos. Não demorei a descobrir que o que Londres tem de mais especial é a falta de... londrinos. Os ingleses aqui já viraram minoria. Claro que o inglês é a língua predominante, mas por todos os lados, você vê franceses, espanhóis, italianos e, é claro, brasileiros. Não passamos um dia sem ouvir outra pessoa falando português, seja no metrô, seja numa loja ou num restaurante. Ou mesmo sem escutar, você se pega no metrô ao lado de um homem com a camisa da seleção brasileira e em frente a uma mulher lendo um livro em português da Zíbia Gasparetto. É a visão do inferno. (brincadeirinha xenófoba)
tornaram freqüentes. É que quem não está chegando agora à cidade, não sente a menor necessidade de sair de casa quando a temperatura média é de 8 graus NEGATIVOS e a neve não dá sossego. E você se pega comemorando quando a temperatura chega a 1 positivo. No novo conceito, os 15 graus habituais do momento são um calorão.
história de pagar a mais pelo ônibus integração ou pagar passagem toda vez que vai para algum lugar. Uma vez pago o bilhete semanal, o transporte é à vontade. E vale comentar que de madrugada existem ônibus noturnos de 10 em 10 minutos para todos os lugares da cidade e que a maioria dos pontos de ônibus tem um letreiro que te informa em quanto tempo o próximo chega. Isso sem contar que os pontos têm nome e no ônibus você é informado do nome de cada ponto, como no metrô (os nomes não são tipo João ou Maria, tá, gente, são nomes que se referem aos lugares, como Queen Elizabeth Hospital ou Queen Elizabeth Street ou ainda Queen Elizabeth Avenue).
juntos. Vale mencionar aqui que eu consegui emprego em uma semana, em um restaurante muito famoso e adorado que faz parte de uma cadeia enorme. É parte africano, parte português, onde trabalham pessoas do mundo inteiro. E minha função é receber os clientes, escolher uma mesa, conversar e receber um feedback. A Mina conseguiu trabalho em 3 dias em uma tenda de comida brasileira em um mercado super antigo que faz parte de um dos lugares mais diferentes e interessantes de Londres, uma região chamada Camdem Town, que é inclusive onde mora e bebe a Amy Winehouse. Mas as particularidades de trabalho e lugares virão nos próximos posts.

u bermuda, alguns homens não fazem a barba ou têm cabelo comprido. Isso poderia ser interessante, mas eles são péssimos repórteres. Já o tipo de linguagem usada entre o apresentador do telejornal e os comentaristas é mais solta e íntima, coisa que estão começando a fazer no "Jornal Nacional" e como mais ou menos já acontece no "Jornal Hoje".
Nas últimas semanas eu tive a sorte de, mesmo sem documento, ser chamada para trabalhar na Pizzaria Liberty, onde a mãe do Phil, Margarida, é gerente. Detalhe: Se um fiscal me descobre, o José, dono da Liberty, paga uma multa de 10.000 euros porque como estou trabalhando ilegalmente, ele está economizando em impostos. A idéia de me chamar foi meio que induzida pela Margarida, na época da festa de Mouros e Cristianos, quando a pizzaria bate recorde de público e o José fica desesperado procurando alguém para ajudar.
Antes de mim ele contratou uma francesa que no fim do primeiro dia, pediu para sair. Sim, o trabalho é pesado. Servir mesas não é tão fácil como parece para quem está sentadinho tomando cerveja. São muitas horas em pé, carregando peso e andando de cima para baixo. Eu adorei. Já não aguentava mais ficar em casa à toa. E, sinceramente, o trabalho é cansativo mas não é impossível. Rola um pouco de frescura por parte do povo aqui na Europa, eles não são acostumados a trabalhar muito. O índice de desemprego está alto devido à crise, mas também tem uma galera que prefere ficar no paro (o auxílio desemprego daqui) do que pegar no batente. No paro, cada trabalhador tem direito a receber por dois anos 80% daquilo que recebia antes de ser demitido. Começa com esse valor mas vai diminuindo um pouco ao longo do tempo. Por isso que aqui todo mundo só fala de crise, mas a pizzaria está sempre cheia.
Pois é, eles não estão acostumados a trabalhar muito mas têm pavor dos estrangeiros que chegam todos os dias para "tirar os seus empregos". Numa pesquisa que vimos no telejornal daqui, para os espanhóis, o pior problema do país é a presença de imigrantes. Na pizzaria, só trabalha um espanhol, o Joaquin, que nasceu e cresceu em Villajoyosa.
Todos os outros, inclusive o dono, são estrangeiros. A maioria é de países da América Latina. Sendo que, dado interessante, a cozinheira, Tati, é da Lituânia. Ela trabalhava como engenheira em uma fábrica de carros, quando o seu país era comunista. Tati afirma categoricamente que a vida de todos era muito melhor naquela época, porque tinham comida, roupa e estudo. É claro que deve ser mais satisfatório ser engenheira do que passar o dia fritando batatas. Mas, com a queda do comunismo, as fábricas foram fechadas, ela perdeu o emprego e teve que vir para outro país para conseguir criar os dois filhos.
Eu, que não tenho que alimentar filho nenhum, e estou aqui meio que de farra, acho o trabalho na pizzaria super divertido. Para mim foi só vantagem, sair de casa, fazer alguma coisa nova, praticar o espanhol e ainda ganhar uma graninha, ou granona, são 50 euros por dia de trabalho. Tenho trabalhado aos sábados e domingos (dias mais difíceis de se encontrar um fiscal trabalhando), portanto, são 100 euros por semana. Dá para comprar mais de 300 garrafas grandes de água.





