sexta-feira, 18 de junho de 2010

Rapidinha

Esse post é só para falar rapidamente sobre o meu aniversário aqui: os amigos brasileiros fizeram muuuita falta, mas pelo menos vocês podem matar um pouquinho das saudades com os vídeos que a maníaca da Mina fez. Vou publicar aqui os links e explicar um pouquinho:

- O aniversário começou com um almoço feito para mim por 3 amigos italianos: Chiara, Barbara e Riccardo.

- Depois, seguindo para o Hyde Park, o maior e mais famoso parque de Londres, onde fizemos um piquenique. O dia estava lindo e foram vários amigos, das mais diferentes nacionalidades. Foi lá o primeiro e o segundo vídeos, onde cantam "Happy Birthday".

- Seguidos para o Nando's, restaurante onde a gente trabalha, que vocês podem ver nos outros vídeos. Jantamos lá, jogando conversa fora.

- Acabamos a noite no já famoso Ku Club, onde nos divertimos com a performance de uma boy band horrorosa chamada Boy Banned (trocadilho péssimo), uma maluca com bambolês e uma drag queen que inventou um jogo onde duas pessoas colocam uma moeda na bunda, prendiam e tinham que soltar em um copo. Depois fazia o mesmo com um queijo e no final com um ovo. A Mina ia ser uma das participantes, mas a drag não gostou da cara dela e mandou ela sair.

Abaixo, os vídeos:








sábado, 12 de junho de 2010

No lado esquerdo do peito

Apesar de sempre acabar em choradeira (e às vezes começar também), receber os amigos aqui é um dos maiores prazeres que temos. Afinal, a saudade aperta cada vez mais e transferir para Londres qualquer atividade que costumávamos fazer no Rio de Janeiro ou Petrópolis é, no mínimo, interessante.

Assim, a onda de visitas começou mais ou menos na mesma época para os dois. Enquanto a Mina encontrava com o André, um amigo de Petrópolis, na Espanha, onde ele fazia intercâmbio, eu passava o reveillon com Mari Tozatto, amiga queridíssima da PUC, com quem fiz o primeiro semestre da faculdade. E de quebra, Sofia, a prima maravilhosa dela. Foi uma semana de compras de DVDs, andanças pela cidade no frio tremendo e muita diversão na noite de ano novo, quando nos encontramos pela primeira vez, enchemos a cara e celebramos 3 vezes (pela Inglaterra, pela Espanha e pelo Brasil) a chegada de 2010. Tudo com direito a nevasca inesperada no penúltimo dia.

Algum tempo depois, foi a vez do Flávio Tabak, amigo da PUC que trabalhava no O Globo, me visitar. Foram andanças, lugares turísticos, cervejinhas, cinema... tudo mais tranquilo, sem perdeção de linha. Uma semana mais cultural, de papos sobre a vida e passeios em Londres com boas companhias. O frio ainda pegava um pouco, mas os ventos já anunciavam as mudanças climáticas.

Teve ainda a Nina e o Felipe, casal querido de Petrópolis. Os dois moram na França e passaram poucos dias aqui, mas o suficiente para uma noite deliciosa de pizza e vinho, além das tradicionais gargalhadas e histórias a serem lembradas.

Após a chegada da Mina, a primeira visita foi inesperada. Enquanto ela trabalhava na barraquinha brasileira em Camden Town, um dos pontos turísticos mais visitados de Londres, um amigo da PUC, o Julio Molica, ficou quase meia-hora observando e pensando incrédulo que não era possível ser ela. Afinal de contas, nada mais fora de contexto do que a Mina uniformizada em uma feira londrina (para quem não estava acompanhando esse diário de viagem). O resultado foi uma tarde deliciosa de bebidas no parque e princípio de noite ao som de música pop, apesar da terça-feira ser pacata em terras londrinas.

Seguindo adiante, dois amigos e ex-companheiros de trabalho da Globo.com, Nilo e Edson estiveram por aqui e apesar de terem perdido a noitada com cerveja barata em um pub ótimo, participaram de uma noite em um bar espanhol com sangria em litro e mulheres aleatórias dançando em cima da nossa mesa. No final, ainda rolou uma tentativa de... deixa pra lá.

Além dos amigos, às vezes também surgem os amigos de amigos. E foi assim que conhecemos o Alberto, jornalista incrível do Agora São Paulo, representante do João Fernando, nosso amigo em comum. Foi uma semana de noitadas divertidíssimas, pegação, brasileiros aparecendo aos montes (provavelmente vindos de alguma caverna escondida por aí, porque eles surgiam quase como fumaça) e passeios por lugares de Londres ainda inexplorados. Mais um pra listinha de amigos que cresce.

Mais recentemente, e esse foi o motivo do post, Luiza deu o ar de sua graça na terra da rainha, depois de passar por Espanha (a trabalho) e Marrocos (de farra). Matar as saudades da amiga mafiosa foi incrível e a energia que emana dos três juntos não decepcionou. Fizemos passeios, conhecemos novos lugares, colocamos a conversa em dia e é claro que fizemos uma noitada como não fazíamos juntos há muito tempo. Começou com piquenique na praça, com direito à promoção querida de 3 garrafas de vinho por 10 pounds no supermercado, passou pela entrada no G-A-Y só para usar o banheiro (e garantir pulseiras de entrada grátis na Heaven) e acabou com os três mais uma amiga, a portuguesa revelação-da-noite Ana Raquel, e mais pessoas aleatórias que conhecemos, indo até o chão do já favorito Ku Bar. Claro que acabou com choradeira na estação de trem, fazendo com que ela ficasse com a mão estendida falando "ué... o meu trem era esse que foi embora?...".

E falando em amizades, achei que seria interessante falar também sobre os amigos daqui. Eles às vezes aparecem por posts discretamente, mas também merecem um lugar mais desenvolvido, já que ajudam a preencher um pouco do buraco eterno deixado pela falta que todos os nossos queridos leitores que estão no Brasil (ou ao redor) fazem. Fora do trabalho, temos a companhia da Regina, brasileira-coreana maluca e desbocada com um coração enorme, sempre nos chamando para "tomar umas" e ajudando a entender como fazer as coisas em terras inglesas. Foi onde na casa dela que passei o natal, comendo comidas brasileiras aos montes.

Ainda oriundos do Brasil, vem a Carol Marsiaj, que estudou na PUC comigo e onde o assunto "cinema" está sempre presente. Diretora de fotografia talentosíssima, os horários são mais difíceis de bater, mas de vez em quando a gente emenda em sessões de filmes e drinks. E foi ela quem apresentou a Nissrine, ou Niss, uma libanesa professora de dança engraçadíssima e companheira fiel de tardes no G-A-Y ou vinhos em algum pub onde o vendedor de flor deixa uma rosa de graça e leva o celular que estava em cima da mesa para compensar.

A Mina tem ainda a Angel, melhor amiga da infância dela, que nos introduz ao mundo dos tatuadores e rock pesado, além das histórias engraçadíssimas e noitadas que faz com a Mina de vez em quando. E eu, o Sebastiano, um suiço criado em uma região onde se fala italiano e que teoricamente trocaria comigo aulas de francês por aulas de português, mas que acabam sempre em conversas em inglês regadas a cerveja.

Falando no pessoal do trabalho, a lista é extensa - e alguns deles são leitores deste blog. Mencionar todos seria difícil, mas como a maioria não fala português, vale a pena passar mais rapidamente, já que o post já está longo. Chiara é uma italiana mãezona, primeira amiga que eu tive aqui e quem me fez companhia durante os meses solitários de frio. Uma menina linda, divertida, com peitos gigantescos (é impossível não reparar ou comentar) e um estereótipo delicioso de italiana. Outra da terra dos mafiosos é a Barbara, uma figura bem ao estilo da Mina, sempre sedutora e minha companhia de comida e comentários atrevidos sobre clientes do restaurante. Daqueles que falam português, impossível não mencionar a Bia, que insistiu para que deixássemos ela escrever um post aqui sobre as impressões dela, uma loirinha linda e que se revelou uma maluca de primeira na noitada em que fizemos juntos, onde ela já chegou bêbada e perguntou para uma mulher gorda se ela andava tomando fermento. Fora as vezes em que ela sumia e a encontramos gritando com alguém: "me adiciona no faceboooooook!".

Além disso, a Claudia, portuguesa querida que foi meu primeiro contato no restaurante onde trabalhamos, culta, inteligente e engraçada, é apaixonante à primeira vista. E ainda mora com Neto e Pedro, dois brasileiros figuras que trabalhavam no mesmo restaurante, onde faziam sucesso com a mulherada que ainda se decepciona ao não encontrá-los no Nando's. E seria imperdoável não mencionar Samantha, uma chinesa completamente louca, sempre excitada e pronta para vir com uma pergunta do tipo: "qual é a posição sexual preferida?". Detalhe: em pleno almoço e dirigida ao chefe.

É muita gente, das mais múltiplas culturas e nacionalidades, dos lugares mais remotos do mundo. Ninguém substituindo vocês todos que nos fazem tanta falta, mas nos ajudando a preencher a lacuna e fazendo nossos corações crescerem para abrigar tanta gente. E antes do texto virar sentimental demais, vamos ao tradicional diálogo final. Mas antes, lembrem-se que ele foi produzido às 4 da manhã, após litros de bebidas alcoólicas:

- Phil, sabe por quê você não se dava bem com quem você queria ficar na sua adolescência? Porque você não era sincero! A falta de sinceridade é o seu problema.

- Mina, do quê você tá falando, sua bêbada?! Quando eu não fui sincero? Me fala agora as vezes em que eu não fui sincero.

- Hoje, por exemplo. Acabei de dizer que você só não se dá melhor porque você é muito distraído, não percebe as coisas.

- Mas Mina, o que a minha distração tem a ver com não ser sincero?

- Phil, distração e falta de sinceridade são exatamente a mesma coisa! E-xa-ta-men-te!

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Tonight's gonna be a good good night

Devo admitir que essa média de um post por mês não está muito legal. Vou tentar postar mais vezes e devo dizer que essa ideia de vocês pedirem coisas nos comentários funciona muito bem, porque ajuda a gente a pensar em novos posts e a pesquisar as coisas para contar por aqui. E para estrear essa novidade - além do novo visual do blog - vamos falar sobre os dois pedidos no post anterior: as farras e a movimentação LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros).

A primeira coisa a se dizer sobre Londres quando vamos falar de farra é que existe uma diferença gritante com o Brasil e que você percebe da pior maneira possível: você chega em um pub às 23h e uma hora depois você é expulso. E quando você está xingando o pub, você percebe que todos estão fechados. O que acontece aqui é que os ingleses saem do trabalho direto para os pubs, o que significa que às 22h já tem gente caindo pelo chão de bêbada. E a gente, acostumado a pegar o último metrô para sair, começa a perceber que aqui eles pegam o último metrô para voltar. Passado o susto inicial, começamos também a achar os lugares que eles chamam de open late, ou seja, abertos até mais tarde. Basicamente, pubs em Camdem Town e as boites, aqui chamadas de nightclubs ou só clubs.

Cidade misturada que é, Londres oferece opções de farra para todos os tipos de público sempre. Os bairros acabam sendo divididos pelo tipo de pessoa, mas você só percebe isso na predominância de um certo tipo, porque é completamente normal que galeras de outras "tribos" frequentem a noite de grupos diferentes. Existe respeito e aceitação em qualquer lugar - e muitas pessoas nem mesmo percebem que frequentam um bar gay até alguém falar que esse bar é gay.

O bairro mais "moderninho" de Londres é o Soho, que fica perto de alguns dos lugares mais frequentados por turistas, o West End, lugar de quase todos os teatros com os mesmos musicais da Broadway. A maioria dos lugares do Soho é frequentada majoritariamente por gays, mas não exclusivamente, nunca. A ideia do bairro é de pessoas abertas e liberais, onde você encontra de tudo um pouco, mas onde acontece uma coisa engraçada de parecer que ali fica uma versão gay do Mc Donald's, uma versão gay da Starbucks, uma versão gay do supermercado Tesco. Tudo porque os principais cafés e restaurantes estão lá, mas onde normalmente são frequentados por muitos gays que saem dos pubs e clubs ao redor. O que acontece é uma concentração, mas não segmentação desse público. E é lá que você percebe que as coisas em Londres tendem a ser diretas e dizer exatamente ao que vieram, como um bar chamado G-A-Y (não poderia ser mais direto) ou um restaurante chamado Hamburguer. Portanto, é muito difícil alguém se fingir de desavisado do tipo "ah, eu não sabia que esse bar chamado G-A-Y era um lugar gay" ou "você sabe se no Hamburguer eles servem massa?".

Pertinho do Soho, fica ainda Chinatown, onde centenas de restaurantes e supermercados chineses disputam a preferência das pessoas (a comida é ótima, mas o atendimento é terrível, o que chega a ser engraçado) e onde fica um dos bares e clubs preferidos nossos, o Ku Bar (o que, é claro, rende piadinhas do tipo "vamos ali naquele Ku" ou "nossa, esse Ku tá cheio hoje"). Lá, a música é pop, as pessoas flertam muito e tem 3 andares: um lounge para os casais, um bar lotado e um nightclub que "bomba" depois da meia-noite, quando os dois primeiros andares fecham. E é lá onde trabalha uma baiana ótima no guarda-volumes (e quando eu digo "guarda-volumes", eu quero dizer casacos).

Falando da diferença entre Rio de Janeiro e Londres: nesses lugares, o público é mais tranquilo, não existe aquelas coisas de dark room (quem já viu, sabe o que é) e tudo é respeitado e seguro. Já vimos um casal gay levar os pais de um deles (que tinham obviamente mais de 70 anos) para um club onde um deles comemorava o aniversário. Existe também um lugar mais frequentado por casais onde a bizarra decoração traz bonecas Barbie peduradas de cabeça para baixo no teto do bar inteiro, que é subterrâneo. E sobre a "pegação", que muitos de vocês safadinhos querem saber, Londres fica no meio-termo entre Brasil e Espanha. O mais comum aqui é que você conheça alguém, troque telefones e passe a sair em dates, traduzido nas legendas dos filmes americanos como "encontros" e que é bem como nos filmes americanos mesmo. Sair para beber ou comer e no final da noite a Jennifer Lopez ou a Sarah Jessica Parker talvez ganhe um beijinho. Mas não é tão difícil conhecer alguém enquanto está dançando e trocar alguns beijos. Mas não espere nada no sentido de beijar várias pessoas na mesma noite - isso é quase surreal por aqui e ninguém entende quando explicamos como funciona no Brasil.

Em outro ponto da cidade, um bairro chamado Vauxhall abriga a night mais pesada de Londres, com raves, nightclubs de música eletrônica, muitos lugares gays e drogas pesadas rolando soltas. Nós nunca fomos porque somos pessoas fofas que preferem os lugares fofos, mas é um lugar badalado e que funciona até mais tarde.

Mais perto do centro, onde fica o Soho e Chinatown, funciona ainda um dos nightclubs mais famosos de Londres, chamado Heaven. De quinta a segunda, festas especiais e shows de artistas que bombam nas rádios daqui acontecem lá. Na segunda-feira, ela é invadida por brasileiros, já que é uma festa sempre anunciada nas revistas brasileiras que existem aqui. Lá, a música também é pop e o público, apesar de mais gay, é bastante misturado. E lá foi a nossa primeira farra para comemorar a chegada da Mina em Londres. Mas os detalhes são impublicáveis.

Basicamente, em resumo, o que as pessoas costumam fazer em Londres é sair para beber. Durante o dia, elas fazem isso nos inúmeros parques e praças que existem pela cidade, muitas vezes acompanhados de piqueniques. Durante a noite, vão para pubs. Quando querem emendar, vão para os clubs e normalmente fazem isso direto. Alguns até saem de casa para a night, mas a maioria que vive aqui há muito tempo vai emendando uma coisa na outra e prolongando assim o dia - e a ressaca do dia seguinte.

E para fechar o post, como está virando tradição, um diálogo entre Phil e Mina, quando estávamos dançando na Heaven:

- Ih, Mina, olha... o nome da atendente é Angel, como sua amiga.
- Não, Phil... o nome daqui é Heaven, tá na cara que todos os atendentes são chamados de Angel.
- Claro que não! Olha aquele barman. Vamos ver se ele responde: Angel! Angel! Angel!
- Pára de chamar que a menina tá olhando pra gente de cara feia.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Bye, bye España! Hello London!!

Pequena introdução

Foram 11 meses de estadia na Espanha. Apesar de eu sempre arredondar para um ano, foram na verdade 11 meses. Eu nunca tinha saído do Brasil e, de repente, entrei num avião para Espanha e só saí de lá 11 meses depois. Os primeiros seis meses vocês acompanharam pelo blog e os últimos 5 foram mais ou menos uma repetição dos primeiros, com a diferença que eu já falava espanhol de verdade.

Essa introdução foi só para lembrá-los de que a minha situação não é simplesmente a de uma brasileira que vem morar em Londres. Eu passei tanto tempo na Espanha que ouso dizer que parte daquela cultura e do modo de viver espanhol foi absorvido pelo meu próprio modo de viver e agora eu também tenho uma porcentagem espanhola dentro de mim, bem pequena, também tenho que admitir, mas ela tá lá, me fazendo ver o Reino Unido com olhos um pouco mais europeus do que latino americanos.


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O Reencontro

Vir morar em Londres teve mais ou menos o mesmo impacto que teve sair de Petrópolis e ir viver no Rio. Eu tava lá na Espanha, numa cidadezinha pequena, pacata, onde o todo mundo se conhece e o tempo não passa e, GRAÇAS AOS CÉUS, eu fui arrebatada(como diriam os evangélicos) e trazida para cá. É como se eu estivesse de volta ao Rio, reencontrei as multidões, reencontrei a diversidade de pessoas, comércio e possibilidades.

Lógico que aqui é um Rio de Janeiro carente do melhor, que são vocês meus amados amigos. Mas, inclusive com relação a amigos, minha vinda para cá foi um grande reencontro. Afinal, o Phil e eu, a dupla inseparável, estava ironicamente separada há meses e foi aqui em Londres que passamos a dividir a mesma casa novamente. Até o Júlio Molica, colega de faculdade, eu reencontrei, por acaso, passeando por uma rua em Camden Town, aquele bairro famoso, não porque lá mora a Amy, mas porque foi o primeiro lugar onde trabalhei aqui.

Parágrafo novo para anunciar aquilo que mais me deixou feliz ao chegar: depois de sete anos, finalmente reencontrei minha amiga Angel. Ela era como uma irmã perdida no universo e agora tenho ela aqui pertinho, morando na mesma cidade novamente.

Farras à parte, sabe o que eu tenho de volta? Uma vida laboral. Eu tenho emprego, dinheiro no fim do mês (na verdade aqui, no fim da semana), contas para pagar e até colegas de trabalho!! A vida não é incrível?!

E para fechar em grande estilo, em Londres eu tenho de volta nosso delicioso blog e vocês, amados leitores que com muito interesse continuam acompanhando nossa vida longe do Brasil e, por isso, merecem mais um diálogo:

Phil: Boa idéia essa de sempre colocarmos um diálogo no fim dos posts.

Mina: É, mas também um pouco difícil. A gente não fica por aí, falando coisas engraçadas e sendo interessante o tempo inteiro.

Phil: ah! Mas aí a gente inventa!!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Back for good

Foram meses e meses de um hiato que parecia sem fim nesse espaço tão carinhosamente criado para abrigar as aventuras de Mina e Phil em busca da conquista do mundo através do Velho Continente. Mas agora que estamos reunidos novamente, com a força da dupla e inspirados pelo vulcão da Islândia que também voltou à ativa, este blog volta a ser nosso espaço para que todos nos acompanhem.

Com a chegada da Mina em Londres, minhas primeiras impressões da cidade voltaram todas à memória. Quando cheguei, naquele 01 de novembro chuvoso e frio, que eu pensei ser o típico da cidade, achei interessante observar que para todos os lados que eu olhasse havia... indianos! Cheguei a pensar que o avião tinha me deixado por engano em Bombaim. Com o tempo, entendi que realmente eles estão por toda parte, onde você menos espera. Sempre com uma lojinha que quebra o galho, um restaurante no meio do nada e aquele cheiro de curry no metrô.

Felizmente, eles não são os únicos. Não demorei a descobrir que o que Londres tem de mais especial é a falta de... londrinos. Os ingleses aqui já viraram minoria. Claro que o inglês é a língua predominante, mas por todos os lados, você vê franceses, espanhóis, italianos e, é claro, brasileiros. Não passamos um dia sem ouvir outra pessoa falando português, seja no metrô, seja numa loja ou num restaurante. Ou mesmo sem escutar, você se pega no metrô ao lado de um homem com a camisa da seleção brasileira e em frente a uma mulher lendo um livro em português da Zíbia Gasparetto. É a visão do inferno. (brincadeirinha xenófoba)

Outra característica forte daqui é o sotaque, claro. A gente chega crente que está a-ba-lan-do com nosso CCAA ou Brasas. Aí a pessoa te dá informação dizendo que para ir para London Bridge você precisa descer em “ulesthchapouwl”. Aí você pede para repetir. E ele repete... “uhlesthtchapowulh”. Você faz cara de desentendido e pergunta de novo, e aí consegue entender a palavra “west”. Ok, já dá para se virar. Com o tempo, claro, a gente vai se acostumando, inclusive a chamar Sprite de limonada e Catchup de molho de tomate.

E esses seis meses iniciais, onde Mina aperfeiçoou o espanhol e resolveu toda a papelada burocrática com a ajuda de nossos amigos ninjas no Brasil, eu tentava entende o porquê dos meus amigos daqui não gostarem muito de mim, já que ninguém me encontrava ou saía comigo. Mas agora que a primavera chegou (a estação, e não aquela parente nordestina retirante que resolve ir ilegal pra Europa), tudo começou a fazer sentido, já que os telefones e convites se tornaram freqüentes. É que quem não está chegando agora à cidade, não sente a menor necessidade de sair de casa quando a temperatura média é de 8 graus NEGATIVOS e a neve não dá sossego. E você se pega comemorando quando a temperatura chega a 1 positivo. No novo conceito, os 15 graus habituais do momento são um calorão.

Foi logo no início que alguns mitos também foram quebrados. A de que Londres é cara, por exemplo. De fato, transporte e moradia são caros. Mas tudo é relativo quando os salários são maiores e as oportunidades mais abundantes. Para explicar um pouco: a cidade é divida em 6 zonas, sendo a zona 1 a central e a zona 6 a mais afastada do centro. Com isso o preço do metrô varia de acordo com a zona que você utiliza. No nosso caso, moramos na zona 3, em um bairro com muito imigrantes, mas em uma casa altamente confortável e grande, só para nós dois e a dona da casa, com direito a jardim com rede e churrasqueira. Aqui existe um cartão chamado Oyster, que você pode carregar o valor que quiser, mas existem tickets semanais e mensais. No caso do semanal, pagamos 30 pounds, que vale por 7 dias, mas o cartão te dá direito a andar quantas vezes você quiser de metrô e ônibus pelas zonas 1, 2 e 3. Ou seja, não tem essa história de pagar a mais pelo ônibus integração ou pagar passagem toda vez que vai para algum lugar. Uma vez pago o bilhete semanal, o transporte é à vontade. E vale comentar que de madrugada existem ônibus noturnos de 10 em 10 minutos para todos os lugares da cidade e que a maioria dos pontos de ônibus tem um letreiro que te informa em quanto tempo o próximo chega. Isso sem contar que os pontos têm nome e no ônibus você é informado do nome de cada ponto, como no metrô (os nomes não são tipo João ou Maria, tá, gente, são nomes que se referem aos lugares, como Queen Elizabeth Hospital ou Queen Elizabeth Street ou ainda Queen Elizabeth Avenue).

Bom, um post para contar os seis meses seria impossível, então já foi válido contar sobre as primeiras impressões. Agora podemos seguir adiante e ir contando sobre as aventuras dos dois juntos. Vale mencionar aqui que eu consegui emprego em uma semana, em um restaurante muito famoso e adorado que faz parte de uma cadeia enorme. É parte africano, parte português, onde trabalham pessoas do mundo inteiro. E minha função é receber os clientes, escolher uma mesa, conversar e receber um feedback. A Mina conseguiu trabalho em 3 dias em uma tenda de comida brasileira em um mercado super antigo que faz parte de um dos lugares mais diferentes e interessantes de Londres, uma região chamada Camdem Town, que é inclusive onde mora e bebe a Amy Winehouse. Mas as particularidades de trabalho e lugares virão nos próximos posts.

E, para finalizar, um diálogo típico de Mina e Phil, de madrugada na cozinha, após beber uma garrafa de vinho:

Mina: - Quero beber mais.
Phil: - Não vai beber nada, não tem necessidade.
Mina: - Tem sim, eu quero beber. Vou beber esse rum aqui, com coca-cola, ó!
Phil: - Mina, sua alcoólatra, não vai beber rum com coca-cola nenhum!
Mina: - Vou sim! Vou beber esse rum agora.
Phil: - Pois se você beber esse rum, eu vou cozinhar um miojo para mim agora.
Mina: - Você não vai cozinhar um miojo para você a essa hora.
Phil: - Bebe o rum pra ver se não cozinho o miojo...

A noite terminou com a Mina bebendo cachaça e o Phil fazendo torrada.

domingo, 1 de novembro de 2009

Season Finale

Chegamos ao final da primeira temporada das aventuras de Mina e Phil pela Europa. Mas, como o blog, foi renovado, isso significa que a conquista do mundo está só começando. Portanto, continuem voltando ao blog e ficando de olho, porque quando vocês menos esperarem, começa a segunda e eletrizante temporada.

E para atiçar a curiosidade de todos e apetecer a leitura, como as séries de TV fazem com seus 'sneak peaks', preparem-se... a nova temporada começa numa ilha.

Ilha? Isso mesmo. Será que é deserta? Será que é habitada? Será que é romântica com a presença do francês-culto-sóbrio-ruivo? Ou será que não é nada disso?

Aguardem.

domingo, 4 de outubro de 2009

Olimpíadas

Com a disputa para ser a sede das Olimpíadas em 2016, por coincidência, Brasil e Espanha ficaram no foco do mundo todo, pela espera do resultado. Isso fez com que muita gente se perguntasse: e o Phil e a Mina, torciam para quem?

Pra começar, devemos dizer que o fato de estarmos na Espanha não significa que a gente se sinta espanhol. Pelo contrário, quanto mais a gente conhece os espanhóis, mais a gente não quer ser um. Mas... é fato que amamos a Europa, as facilidades, o estilo e a qualidade de vida europeus.

Enquanto no Rio era programada uma festa gigante na praia de Copacabana e uma expectativa louca tomou conta do país inteiro, na Espanha ninguém parecia falar muito sobre a disputa. A preocupação era mais com os assuntos do dia a dia - crise, acidente em estrada, desemprego, imigração. Ninguém comentava muito sobre a possibilidade de Madrid ser a sede.

Perto do dia do resultado, algumas notícias começaram a surgir e na véspera do anúncio os telejornais fizeram reportagens falando sobre como eram as candidatas - Chicago, Tóquio e Rio de Janeiro. Foram reportagens respeitosas e mostraram bem o que eram as cidades.

Finalmente, no dia do anúncio, a TVE espanhola transmitiu toda a cerimônia, como o Brasil também fez. Eu e Mina, alheios a tudo, passamos o dia em Alicante, resolvendo coisas de documentos, vendo um aquário em uma praça, tomando chope em uma cafeteria, vendo um filme espanhol no cinema, visitando uma livraria... esquecemos completamente que era o dia do resultado. Quando saímos do cinema e telefonei para minha mãe, ela contou a novidade: o Rio ia sediar os Olimpíadas.

À noite, no telejornal, a reportagem mostrava a alegria dos brasileiros que estavam em Madrid, sambando, bebendo cerveja, festejando com a bandeira brasileira. Espanhóis parabenizando o Brasil. Os espanhóis daqui, principalmente os mais velhos, reclamavam que Madrid "tinha a melhor estrutura, o melhor planejamento, mais segurança", etc. Mas na imprensa o que se fala é sobre a decepção do rei espanhol, que se sentiu "enganado" porque o presidente do Comitê Olímpico Internacional disse que Madrid tinha muitas chances e que a regra não-oficial de revezamento de continentes não iria influenciar na decisão. A decepção dos governantes espanhóis e dos atletas foi grande, mas em momento algum eles ofenderam o Rio ou disseram não ser merecido. Só achavam que Madrid merecia mais por ter uma candidatura "perfeita".

A verdade é que sediar as Olimpíadas era muito mais esperado e importante para o Rio do que para Madrid. Os espanhóis ficaram decepcionados, mas nem perto de como os brasileiros teriam ficado. E sem entrar em méritos de se achamos que o Rio deveria mesmo sediar ou não, devemos assumir que a nossa torcida era para... Tóquio.